Terça-feira, Julho 04, 2006
(...)
Tudo era tão perfeito para ambos. Havia uma energia mágica em volta dos dois.
Foi então que percebeu que tudo era um sonho e que logo acordaria e nada daquilo seria possível.
Nada disseram um ao outro, mas ela percebia, com clareza, o que estava acontecendo.
Era um sonho e ela não queria acordar. Tudo era tão perfeito e a realidade não iria supri-la de tal forma.
Pensou em não mais acordar.
Será que é isso que acontece àqueles que morrem dormindo, quando a alma preferir permanecer, para sempre, no mundo dos sonhos?
Tinha medo de acordar.
Continuava beijando-lhe a face e os lábios, decidida a abandonar o corpo real e permanecer naquele mundo.
Teve medo, apenas, de acordar.
O rosto dele foi se transformando, sua fisionomia era outra.
Em sonhos, coisas estranhas acontecem.
Uma angústia tomou conta de seu peito. Era inútil lutar.
Não há como controlar os sonhos, mesmo os próprios.
Foi então que ela se soltou do fio que a prendia ali e, enfim, acordou.
Estava com calor e uma certa ansiedade lhe apertava o peito.
Olhou em volta e estava cercada de coisas reais.
Pensou, então, que precisaria de sonhos, ao acordar.
"(...)
Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
(...)"
Acordar - Álvaro de Campos
Publicado por
Darkzinha, às 12:12.
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