Terça-feira, Agosto 21, 2007
a.jpgu.jpg
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Darkzinha, às 16:17.
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Domingo, Junho 03, 2007
Amassando papéis, em forma de bolinha, e jogando no fundo do cesto.
Não devia ser assim. Por mais que eu escreva a lápis, para depois cobrir de caneta, é frustrante quando a história tem de ser descartada.
Tantos versos, aromas e sabores... Em vão!
Não queria te perder. Mesmo sabendo que nunca fostes meu...
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Darkzinha, às 20:18.
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Quinta-feira, Maio 31, 2007
E lá se foi ela, sozinha, a passear pela floresta.
Tudo parecia calmo e tranquilo, afinal, Darkzinha levava em sua bolsa alguma comida (sonhos de goiabada), cigarros, calmantes e camisinhas. Levava, também, um Ipod para distraí-la durante o passeio.
No primeiro dia, e na primeira noite, tudo parecia muito curioso, novo; ainda não tinha havido tempo de pensar a respeito ou tecer quaisquer comentários.
mas veio a segunda noite, o terceiro dia, e, assim, já ia chegando ao fim da primeira semana. A paisagem já não era mais tão curiosa e o frio que fazia torturava Darkzinha.
Eis que, por um momento, ela pensa sobre a possibilidade de haver andado em círculos por todo o tempo:
- Acho que foi isto que aconteceu. "A vida às vezes parece semelhante a um caleidoscópio. Em um dado momento estamos vendo uma imagem que, em um segundo, se transforma noutra completamente diferente. E, às vezes, temos impressão de que, no meio de tantas imagens vistas, algumas delas possam ser repetidas".
E prosseguiu:
- Esta, certamente, é uma imagem repetida. Não sinto mais o mesmo vigor, aquela prazerosa curiosidade. Ao mesmo tempo, parecem imagens diferentes... Será que poderei entrar duas vezes no mesmo rio?
E, assim, Darkzinha avançou, serelepe e saltitante, com seu agasalho rosa, a saltitar pelo bosque.
No meio do caminho, porém, se depara com uma bela árvore, carregada de frutos igualmente belos, como nunca havia visto igual:
- Como é graciosa esta árvore! Como são saborosos os seus frutos! Ah! Eu queria poder levar muitos deles comigo! Queria poder dar alguns aos meus amigos; mas vejo que minha bolsa é muito pequena. Nela não caberia nem mesmo um único destes frutos...
E Darkzinha prosseguiu pela estrada afora, bem sozinha. Ainda sentia em sua boca o sabor daqueles deliciosos frutos:
- Tenho certeza de que voltarei lá um outro dia para pegar mais daqueles frutos. Poderia plantá-los em minhas terras!
E, questionante:
- Hmmm... Não sei ao certo... Esta planta possui uma textura que dá a impressão de muita fragilidade. Não sei se em minhas terras ela não sentiria falta desta floresta, deste clima. Lá, talvez, o sol forte a destruísse. E estas belas e radiantes folhas? Tenho certeza de que todas elas secariam.
E Darkzinha, então, não se preocupou muito. Pensou que poderia voltar lá assim que quisesse. Poderia, inclusive, levar os seus amigos para lá. Obviamente eles também iriam adorar aqueles frutos.
Ao fim do trajecto, já avistando a rua de sua casa, Darkzinha não sentia mais o gosto dos frutos em sua boca. Porém, ainda eram claras as lembranças em seu pensamento.
Chegando em casa, haviam lhe preparado uma grande festa. Estavam parentes, amigos, e até pessoas que há muito tempo Darkzinha não tinha notícias. Todos queriam saber como estava.
E ela foi cumprimentando-os com muita calma, detalhando todos os acontecimentos e sensações que achou conveniente informar.
Ela falava, falava de tudo, mas sempre encontrava uma forma de falar daqueles frutos. Muitos não deram importância, nem aos frutos e nem a nada mais. Alguns diziam, simplesmente, preferir cereais, chocolates, ou um bom vinho. Outros se entusiasmavam com seu desejo pelos frutos e tentavam, em vão, oferecer-lhe outros frutos para que pudessem substituir aqueles de outrora. De fato, alguns dos frutos oferecidos eram de semelhante qualidade, mas, aquele sabor, aquela sensação, eram únicos. Nada mais se assemelhava àquele fruto.
E os dias foram passando, deixando aquelas lembranças bem confusas na cabeça de Darkzinha:
- Será que teriam mesmo um sabor especial? Será que alguém havia, momentos antes, derramado algum tipo de mel sobre eles? Será que não fui eu que estava com muita fome? Será que ainda devo voltar lá? Pode ser que aquela frágil árvore esteja morta. Pode ser que já não tenha frutos, ou, ainda, que eles estejam verdes ou maduros demais; talvez até estejam podres. Pode ser que não esteja mais lá! Alguém pode tê-la levado para outras terras, como eu quis... Oh! Não! MEUS frutos!
E, por um breve instante de desespero, eis que retorna à consciência prática:
- Mas oras... Como posso ser tão egoísta? Pode ser que outras terras façam bem àquela frágil arvorezinha. Como posso ser tão egoísta?
Foi então que Darkzinha decidiu esquecer daqueles frutos e de todo o prazer que lhe foi proporcionado por eles.
- Acabou!
Assim disse, decidida.
E trancou-se em seu quarto, tendo vontade de nunca mais sair de lá, numa atitude imbecil e idiota.
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Darkzinha, às 16:02.
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Quarta-feira, Maio 30, 2007
"Eu tenho a chave, nada impede a vida acontecer..."
Mombojó
"Ó solidão! Solidão! Meu lar!...
Tua voz, ela me fala com ternura e felicidade!
Não discutimos, não queixamos, e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas.
Pois onde quer que estejas
ali as coisas são abertas e luminosas;
e até mesmo as horas caminham com pés saltitantes...
Ali as palavras e os templos/poemas de todo o ser se abrem diante de mim:
aqui todo o ser deseja transformar-se em palavra,
e toda a mudança pede para aprender de mim a falar"
Nietzsche
Diante do desejo de transformar o ser em palavra, para penetrar nos templos/poemas, tentarei o inverso: transformar a palavra em ser e, assim, talvez, possa conseguir companhia e conforto.
Toda mudança surpreende com o novo, com o que nos é desconhecido, e, tal como com a criança em seus primeiros anos de vida, se faz necessário que haja uma nomeação do que nos circunda, para que seja introjetado no mundo simbólico da apreensão das coisas. Creio que a mudança se dê, invariavelmente, de dentro para fora; o olhar e a imaginação reconhecem que desconhecem, embora se saiba que tudo possa ser esperado, no imenso campo das possibilidades. A mudança se apresenta, ainda, e sobretudo, como um grande desafio e prevê batalhas à vista: "Aquele que heroicamente assume a transformação, encontrará apenas batalhas à sua frente". A mudança recrimina o comodismo e o descanso, abomina a alienação e clama pelo desprezo do medo, sentimento este que reúne todos os anteriores sob a máscara da vitimização. O medo é a renúncia, o "freio", o não-viver, a descrença.
Penso, a partir dai, que o oposto do medo devesse ser a curiosidade, que abarca em si certa coragem e vontade, muitas vezes reforçada por certa quantidade de ansiedade. A curiosidade nos faz pensar que o medo de tentar nos afasta da possibilidade de conhecer, de experienciar, de ensinar a mudança a falar, com nosso próprio idioma; é a possibilidade de contarmos, nós mesmos, uma história, que pode ser cômica, dramática, uma aventura, pode conter ação, suspense, terror, ou pode, até mesmo, ensaiar um belo conto de fadas.
Há quem acredite que o enredo já esteja escrito (Maktub), mas penso que a luta e o esforço estejam mesmo em nossas mãos, ao pegar uma folha de papel em branco e uma caneta (ou mesmo lápis e borracha) e passar a redigir, a dar forma à palavra e, da palavra, ver surgir o ser, fruto do nosso desejo.
P.S.: Se a história for bonita, peço que seja redigida e me enviada: hellenyon@yahoo.com.br
P.
S2: Que sejam felizes para sempre...
P.S.3.: Dá uma pena quando pegamos esse mesmo papel em branco e, após escrever belas palavras (e versos, talvez), amassamos, fazemos uma bolinha e jogamos no fundo do cesto...
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Darkzinha, às 16:41.
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Terça-feira, Julho 04, 2006
(...)
Tudo era tão perfeito para ambos. Havia uma energia mágica em volta dos dois.
Foi então que percebeu que tudo era um sonho e que logo acordaria e nada daquilo seria possível.
Nada disseram um ao outro, mas ela percebia, com clareza, o que estava acontecendo.
Era um sonho e ela não queria acordar. Tudo era tão perfeito e a realidade não iria supri-la de tal forma.
Pensou em não mais acordar.
Será que é isso que acontece àqueles que morrem dormindo, quando a alma preferir permanecer, para sempre, no mundo dos sonhos?
Tinha medo de acordar.
Continuava beijando-lhe a face e os lábios, decidida a abandonar o corpo real e permanecer naquele mundo.
Teve medo, apenas, de acordar.
O rosto dele foi se transformando, sua fisionomia era outra.
Em sonhos, coisas estranhas acontecem.
Uma angústia tomou conta de seu peito. Era inútil lutar.
Não há como controlar os sonhos, mesmo os próprios.
Foi então que ela se soltou do fio que a prendia ali e, enfim, acordou.
Estava com calor e uma certa ansiedade lhe apertava o peito.
Olhou em volta e estava cercada de coisas reais.
Pensou, então, que precisaria de sonhos, ao acordar.
"(...)
Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
(...)"
Acordar - Álvaro de Campos
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Darkzinha, às 12:12.
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Terça-feira, Maio 30, 2006

O ralo.
O ralo, o esgoto, o escoamento.
"Tudo foi para o ralo"! - gritou.
Alguém já observou o que desce pelo ralo?
Alguém já pensou em pegar algo que escoou pelo ralo?
Se tentou (pegar algo que escoou pelo ralo), o que sentiu quando o fez?
...
E se você caísse em um ralo (ou um bueiro), o que faria? Como se sentiria?
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Foto: O ralo.
O ralo de rua, onde escoa muito mais.
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Darkzinha, às 16:53.
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Quarta-feira, Junho 08, 2005
Às vezes ouço vozes, muitas vozes
É normal quando estamos em um shopping movimentado, por exemplo
São tantas vozes... Não consigo ouvi-las bem, ou mesmo entendê-las
cada voz conta uma história, por mais fútil que ela possa ser...
Pessoas estão passando de lá para cá, assim como alguns olhares
Alguns apressados e/ou despretensiosos
Alguns persistentes, que conseguem falar mais e mais claramente que as vozes que escuto, confusas
Um olhar, em especial me faz sorrir
Me olha e me diz tudo o que viu e o que vê agora
Me fala a respeito de histórias que já se foram
Ops!
Será que este olhar me julga?
Diante da possibilidade, este olhar já não me parece tão engraçado como à primeira vista
Sinto, agora, vontade de chorar
Sinto vergonha
Quero me esconder embaixo da mesa
Ou deste papel
E o olhar é persistente. Parece estar tocando em mim (seria possível?)
Será que este olhar percebe o meu incômodo?
O meu medo,
A minha dor,
O meu arrependimento...
A minha vergonha
E um pouco dessa alegria inocente?
Será que percebeu que meus olhos brilharam com vontade de sorrir,
para em alguns instantes depois brilharem em meio às minhas lágrimas?
Será que percebeu minha vontade de chorar?
Mesmo tendo um sorriso bobo e frágil em meus lábios?
Nenhum questionamento poderá expressar o que sinto.
Este olhar...Foi o mesmo olhar, um único olhar
veio da mesma direção e, por um breve instante, foi ameaçador, condenador... e sedutor
Onde estaria este olhar agora?
Acho que vi novamente este olhar hoje
em meu espelho...
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Darkzinha, às 01:51.
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Quinta-feira, Abril 07, 2005
Há poucos dias estava lembrando de minha infância; de colegas, da escola, das aulas de ballet...
Lembrei de uns poucos conhecidos, alguns que representaram algo mais, que de alguma forma fizeram parte de minha vida.
Tenho muitos amigos de infância, hoje, bastante presentes em meu convívio.
Neste dia lembrei destes outros, que se perderam com o tempo, destes que marcaram e que hoje já não sei deles.
Fiquei imaginando como eles estariam, e onde. Se estavam bem na vida, com projetos, com filhos, se estariam bonitos, se estariam alegres, se tornaram-se criminosos, se tornaram-se loucos...
Não, na verdade eu não pensei no pior. Imaginei sempre um sorriso nos lábios de cada um que eu lembrava.
Tive vontade de reencontrá-los, alguns mais que outros. Fiquei querendo matar essa curiosidade, conversar, saber mais...
Ando mesmo precisando de amigos, de atenção.
Talvez, além de curioso, pudesse ter sido agradável encontrá-los. Ou encontrar apenas alguns deles...
Os sentimentos de saudade, de nostalgia, só me fizeram imaginar, e imaginar, e imaginar...
Não consegui reencontrá-los.
Ontem tive a notícia de que um deles se matou, nesta terça (05/04).
Há cerca de um mês tive um sonho com ele. Sonhei que falávamos de nossas vidas. Tive vontade de encontrá-lo.
Me sinto impotente. Penso se poderia ter feito algo.
Não sei das causas, não sei dele. Eu não sei de nada. Há mais de 10 anos que não ouço falar dele.
E é engraçado como ele parece perto, como eu tinha coisas pra dizer, como senti...
São lembranças que nunca se apagarão. Porém, já não posso mais imaginar tanto...
No dreams
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Darkzinha, às 22:28.
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Sábado, Março 26, 2005
Trancada no quarto, em meio a meu silêncio
Em algum lugar, um grito
Euforia...
Um socorro?
Alguém agoniza
Eu estou no quarto, só,
com pensamentos sem importância
Alguém trabalha, preocupado
Outro ama, e sempre pensa no seu amor
e eu no meu quarto acomodada
Alguém trama um assassinato
Ou planeja encontrar alguém
Alguém encontra
e eu no meu quarto, parada
Alguém corre, voa, busca
Alguém vive
e eu no meu quarto vegeto
Alguém sonha
Outro realiza
e eu no meu quarto quieta
Espera...
Calma...
Alguém no meu quarto...
by Darkzinha - 29/11/2000
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Darkzinha, às 15:18.
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Hoje descobri que sou experiente para algumas coisas, ou seja, aprendi com algumas experiências. Quando recebemos algum estímulo, alguma vez, respondemos de certa forma. Quando o vemos novamente, sabemos logo que se trata de um estímulo semelhante, mesmo que este vista uma outra roupa.
Eu já não me engano mais com isso.
Tem gente que é otário mesmo. Pior que rasgar dinheiro é ter tudo nas mãos e jogar para cima.
É como eu digo "Às vezes parece que aquele mais controlado é o que mais descontrola.
Às vezes tenta controlar quando, na verdade, já está mais do que controlado"
E o cara passa um trote para a polícia e, por isso, pode pegar cinco anos de prisão. Depois eu que sou a louca...
Poemeu com um
nó na garganta
Não importa o que você faça.
Com o passar do tempo
Até o passado passa.
(Millôr Fernandes)
Frase do dia: "Eu não discuto mais isso" - Luis Inácio Lula da Silva
Reflexões do dia:
"
Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminando a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria." - Frida Kahlo
"
Pés para que os quero, se tenho asas para voar?" - Frida Kahlo
Não sei quem venceu a brincadeira de prender a respiração embaixo d'água. Eu já desisti. E também descobri que é bom voltar a respirar. Sim, existe ar respirável lá fora.
Anjos...
P.S.: Não me levem a sério.
Publicado por
Darkzinha, às 00:35.
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